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Albânia – “O albanês morre, mas não quebra a sua palavra”

Albânia – “O albanês morre, mas não quebra a sua palavra”

Talvez seja este o valor mais marcante da sociedade albanesa, a forte tradição besa, que ordena a protecção e a hospitalidade de quem chega. A Albânia tem na sua génese um vasto cruzamento de povos e uma interculturalidade tão rica que chegam a rivalizar com a beleza natural e a diversidade paisagistica que caracterizam este país e fazem com que muitos o apelidem como a última joia secreta da Europa.

Q uem gosta não apenas de admirar os traços que a história assinala em cada nação e em cada cultura, mas também o testemunho directo de um lugar onde a influência das diversas eras se faz sentir, quem aprecia a beleza natural de paisagens absolutamente deslumbrantes, costumes profundamente enraizados na população e uma gastronomia sem dúvida incontornável, encontrará na Albânia um destino de eleição para sempre inesquecível.

Um caldeirão de influências
Território que se debruça sobre o Adriático e o Jónico e que ultimamente vai ganhando fama graças às maravilhosas praias da chamada Riviera albanesa, sempre vigiada pelas suas imponentes montanhas, a Albânia situa-se no coração dos Balcãs, iniciando-se a sua história com o povo ilírio. De natureza indo-europeia, os ilírios ter-se-ão instalado na península dois mil anos antes de Cristo tendo, como ferozes guerreiros e corajosos marinheiros, deixado uma marca incontornável na região, bem assinalada por fortalezas e túmulos de pedra que se encontram por todo o território. Atraídos pela posição estratégica e pela riqueza em recursos naturais, os romanos chegariam por volta de 200 a.C., logo após os gregos antigos, trazendo consigo as estradas, os aquedutos e a língua latina cujo eco ainda conseguimos detectar na língua moderna albanesa. O crescimento e profundo desenvolvimento romano destacou a Albânia, razão pela qual após a queda do império este território se viria a confrontar com inúmeras invasões de povos cujas culturas haveriam de enriquecer ainda mais a densa tapeçaria que compõe a cultura albanesa. Após Roma viriam os bizantinos, cuja presença ficou assinalada através dos maravilhosos frescos que encontramos nas igrejas ortodoxas, seguidos dos eslavos, dos búlgaros, dos normandos, dos franceses de Nápoles, dos sérvios e finalmente dos otomanos.

Da era otomana à fuga ao comunismo
A era otomana iniciou-se no final do século XIV, representando uma época de mudanças significativas e deixando até hoje um forte marco arquitectónico, gastronómico e de costumes na cultura local. Apesar das fortes pressões, os albaneses mantiveram-se fiéis à sua língua e costumes, denotando assim a sua resiliência e foi nesta época que entrou em cena um dos mais respeitados heróis nacionais, Skanderbeg, que resistiu incansavelmente à expansão otomana e cuja memória é evocada na estátua situada na praça principal de Tirana, a capital albanesa. O país só se declarou independente do império otomano em 1912 num momento absolutamente monumental que marcou o despertar de uma nova era. O seu percurso até à modernidade estava, no entanto, repleto de desafios. As guerras mundiais, seguidas por um período de isolamento sob o domínio comunista, deixaram cicatrizes que ainda hoje são visíveis. Contudo, e tal como os ilírios do passado e que estão na sua génese, a Albânia é uma terra de resiliência, tendo emergido deste isolamento na década de 90 e abrindo-se hoje ao mundo como um país que ambiciona modernizar-se e que para oferecer tem precisamente isso, a tradição e a riqueza de uma história profundamente rica.

Nos Alpes albaneses ou nas chamadas Montanhas Malditas…
Sendo um país cada vez mais apreciado em virtude das praias que acompanham a sua costa, a Albânia é também um país montanhoso que guarda de tempos ancestrais tradições, costumes e práticas dos chamados highlanders que habitavam os seus picos e desfiladeiros. É actualmente um destino de eleição também para quem aprecia a vida fora de portas, seja a fazer ecoturismo, trekking, ciclismo de montanha ou parapente. Situada nos Alpes Albaneses (também conhecidos como as Montanhas Malditas), Theth constitui um dos lugares mais encantadores de toda a Albânia. No cinema vimos esta aldeia em The Forgotten Mountain, fita rodada em 2018 por Ardit Sadiku. Trata-se talvez do lugar mais tranquilo a visitar na Albânia, com paisagens tão esmagadoras como dramáticas, tal é a magnitude da sua dimensão. Theth foi declarada Centro Histórico Protegido e Parque Nacional pelo governo, situando-se a vila no centro do parque nacional homónimo, uma região de beleza natural absolutamente extraordinária.
Composta por sólidas casas de pedra com telhados de ardósia e situada num anfiteatro de picos rochosos com uma pequena igreja do século XIX ao seu centro, Theth convida o viajante para uma refeição comunitária seguida, logo depois, da aventura animada de uma caminhada. A tradição local afirma que toda a comunidade descende de um único antepassado comum (Ded Nika), sugerindo-se que a população se terá mudado para Theth há cerca de 300 a 350 anos com o intuito de preservar as tradições cristãs. A aldeia mantém-se isolada e a única estrada que a liga ao povoado de Boga foi recentemente pavimentada e melhorada, embora continue praticamente intransitável durante os meses que se estendem entre o Inverno e o mês de Abril. Ali, a desertificação populacional representa a longo prazo um sério desafio para a comunidade. A população tem diminuído significativamente nas últimas décadas e a maioria dos habitantes que ainda restam só reside em Theth durante os meses de Verão. Para além da torre, as outras atracções consistem nas espectaculares cascatas, num moinho de água ainda em funcionamento (utilizado para moer o milho dos habitantes locais) e num modesto museu etnográfico. Trata-se de uma região ideal para percorrer trilhos e apreciar a Natureza em todo o seu esplendor. No Parque Nacional de Theth é possível realizar uma caminhada relativamente fácil de 30 minutos até à impressionante Cascata de Grunas, onde podemos desfrutar de um mergulho revigorante e ainda caminhar até ao incrível Olho Azul de Kaprre, uma piscina natural de cor azul eléctrica que é alimentada por uma pequena mas intensa cascata.

Gjirokaster, a Cidade de Pedra
Rumando a sul, mas ainda nas terras altas, visitamos Gjirokaster, um fascinante destino conhecido como a cidade de pedra e verdadeiro testemunho da era otomana, narrando-se a história do seu passado nas ruas de paralelepípedos e na distinta arquitectura que lhe é própria. Há quem a veja apenas como um verdadeiro museu vivo, sendo protegida pela UNESCO desde 2005 enquanto tal, mas é na verdade muito mais. Do imponente castelo ao local de nascimento do reconhecido escritor Ismail Kadaré (diversas vezes nomeado para Prémio Nobel da Literatura e considerado um dos maiores escritores e intelectuais europeus do século XX , bem como uma voz universal contra o totalitarismo), em todos os recantos de Gjirokaster parecemos ouvir as lendas que nos evocam a riqueza do seu passado. O poder otomano deixou sem dúvida uma enorme marca na Albânia, moldando a arquitectura, a gastronomia e a identidade cultural que Gjirokaster tão bem ilustra tanto nas suas ruas, como nos seus bazares. Também em aqui terá nascido Enver Hoxa, que governou o país com mão de ferro entre 1944 e a sua morte, em 1985, como líder comunista do Partido do Trabalho da Albânia. Foi responsável pelo total isolamento do país, por décadas de repressão e ditadura, pela abolição da religião, pela centralização da economia e seu consequente atraso, tornando-se mais tarde profundamente paranoico e governando com base no medo, razão pela qual mandou construir cerca de 170 mil bunkers por todo o país, a maior parte nunca tendo sido usada, mas consumindo-se para este efeito recursos significativos.

O preço do medo
Hoje muitos destes bunkers se encontram alterados, servindo por exemplo como museus, como é o caso do Bunk’Art 1, em Tirana. Concebido num enorme bunker subterrâneo de 5 andares e 106 quartos para proteger o governo em caso de guerra nuclear, foi convertido num impressionante museu que narra a história do comunismo albanês, da cultura de vigilância, da repressão política e da vida quotidiana durante o regime. O Bunk’Art 2, também em Tirana, está localizado na Praça Skanderbeg e foca-se na história da polícia secreta Sigurimi, nas suas acções em prisões políticas, de escuta, de execuções e interrogatórios. Outros servem como cafés, como é o caso do Komiteti – Kafe Muzeum, junto a Biloku, ainda em Tirana. Não é, contudo, apenas na capital que encontramos estas construções. Tanto nas regiões montanhosas, como nas cidades e na costa nos deparamos com elas, já que Hoxa se convenceu que o país seria invadido e mandou construir um bunker por cada quatro habitantes. Existem em zonas de veraneio absolutamente paradisíacas, como Saranda, a entrada para a Riviera albanesa, Vlore ou Porto Palermo, mas não é por isso que estas regiões se tornam menos procuradas.

Da Riviera albanesa ao besa e ao kanun
A beleza natural que encontramos na região costeira da Albânia é absolutamente estonteante, com as praias pintadas de um azul que mal se consegue descrever a contrastar com a paz e a tranquilidade que ainda as caracteriza. Considerada como a última joia secreta da Europa, a Albânia é também famosa pela iso-polifonia, que a UNESCO reconheceu como Património Cultural Imaterial da Humanidade, e que constitui uma forma única de canto polifónico tradicional que se pratica sobretudo no sul. A culinária mediterrânica com influência otomana e balcânica, assente em ingredientes frescos, pouco processados e com grande destaque para os vegetais, o azeite, a carne, o iogurte, as ervas aromáticas e o pão é outro dos grandes atractivos nacionais, sem esquecer obviamente a famosa hospitalidade que se baseia na tradição besa, um dos pilares mais antigos e sagrados da cultura albanesa, que consiste num código moral de honra, lealdade e hospitalidade com raízes profundas na tradição tribal e no Kanun (um sistema jurídico oral e escrito que governava a vida nas montanhas do norte da Albânia desde a Idade Média). Viajar para um lugar onde estes dois valores morais fazem parte das convicções da generalidade da população é, sem dúvida, uma ideia interessante, havendo o compromisso inviolável de proteger, respeitar e honrar uma promessa ou um hóspede, custe o que custar. Aqui, a hospitalidade é encarada como algo sagrado, o que foi marcante, por exemplo, aquando da Segunda Guerra Mundial. A Albânia foi o único país da Europa ocupada pelos nazis onde a população judaica aumentou durante a guerra, o que se verificou em grande parte graças à besa, com muitas famílias muçulmanas e cristãs albanesas a esconder judeus, arriscando com este gesto a própria vida e recusando-se a entregá-los mesmo sob ameaça alemã, um exemplo raro de coragem coletiva e ética universal. Este capítulo de honra na história da Albânia mereceu o reconhecimento oficial de mais de 75 cidadãos albaneses como “Justos entre as Nações” no Memorial Oficial do Holocausto de Israel.

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