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Nathan Lump

Nathan Lump

Nathan Lump
“Acredito no poder transformador da viagem — na sua capacidade de abrir os olhos e de mudar as pessoas”

Um verdadeiro apaixonado por histórias e pela arte de contá-las, Nathan Lump detém um percurso de sucesso na área editorial das viagens, com experiência nas mais prestigiadas publicações americanas. É actualmente o editor da mais reconhecida revista do Mundo, nascida em 1888 e que, arriscamo-nos a dizer, todos apreciamos muito – A National Geographic. A Travel & Safaris foi conhecer o seu “homem do leme”…

Texto: Carla Santos Vieira Fotos: Bertie Gregory , Charles Runnette, Thomas Peschak e National Geographic
Agradecimentos Nathan Lump

A revista National Geographic é amplamente conhecida em Portugal, gozando de uma excelente reputação em todos os sectores. Como se sente ao liderar um projeto tão desafiante e fascinante?

Obrigado pelas suas palavras, fico muito contente. Sinto–me honrado por liderar esta marca que desde 1888 informa e inspira as pessoas sobre o que se passa no Mundo à nossa volta. Para mim, a parte mais interessante e desafiadora consiste na preservação daquilo que sempre tornou a National Geographic tão especial e ao mesmo tempo na continuação da modernização da nossa forma de contar histórias. Trata-se de manter a essência dos temas que abordamos — viagens, ciência, vida selvagem, história, arqueologia — e fazê-lo com profundidade e excelência criativa, mas também de experimentar novos formatos e modos de chegar às pessoas. O nosso trabalho mais recente com vídeos verticais de curta duração para redes sociais é um bom exemplo disso.

Tem um sólido percurso no jornalismo. Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira?

É difícil escolher porque tive a sorte de viver muitas oportunidades absolutamente incríveis ao longo da minha carreira! Liderar a revista de viagens do The New York Times, o meu primeiro cargo editorial em 2006, representou uma extraordinária oportunidade de manifestar a minha filosofia sobre este tema — acredito que viajar é uma forma de aprender, em primeira mão, sobre a complexidade do Mundo e de conhecer a sua diversidade de um modo muito significativo. Foi também nesse cargo que conheci o meu marido, Charles, que naquela altura escrevia como freelancer para nós.
Em 2014, tornei-me o diretor da Travel + Leisure, a maior marca editorial de viagens nos EUA, algo muito especial para mim pois já tinha trabalhado lá no início da minha carreira e tinha sido lá que tinha realmente “crescido” como editor. Tenho muito orgulho do trabalho que fizemos na T+L, sobretudo no desenvolvimento da presença digital e social da revista, que em poucos anos se tornou o principal site de viagens dos EUA.
E, claro, agora na Nat Geo, que leio e admiro desde criança — tem sido um privilégio trabalhar com pessoas que admiro há anos e penso que neste momento estamos a fazer um óptimo trabalho.
Ainda é bastante jovem e já foi distinguido como Editor do Ano e como uma das 30 Pessoas Mais Influentes da Comunicação Social pela Media Industry News, em 2016. Recebeu também uma série de prémios de grande prestígio, nomeadamente por parte da Society of Publication Designers 2024, a Adweek Hot List 2024, os Webby Awards 2024 e os National Magazine Awards 2024. Estes reconhecimentos refletem o seu impacto na indústria editorial, sublinham uma liderança inovadora e um compromisso com a excelência. Na sua opinião, qual é o futuro dos media de viagens? Haverá sempre espaço para este tipo de publicações?

Acredito que haverá sempre público interessado em conteúdos sobre viagens — é uma paixão global e como envolve um investimento significativo de tempo e de dinheiro as pessoas vão continuar a procurar ideias e conselhos para viver boas experiências. A questão é: em que formato? Tenho achado a resiliência do papel interessante, especialmente em géneros visuais como as viagens. Não espero um regresso do mercado de massas das revistas impressas, mas penso que continuará a haver espaço para produtos de elevada qualidade dirigidos a públicos específicos.
Estamos também a viver uma grande instabilidade nos sites e a colocar questões fundamentais sobre se a inteligência artificial irá mudar a forma como as pessoas obtêm informação, tornando-os menos relevantes.
Seja num site, nas redes sociais, em texto, fotografia ou vídeo, aquilo que acredito que resistirá ao tempo é o conteúdo com um ponto de vista distinto, que seja relacionável e fiável por se basear em experiências humanas reais e penso que na era da IA isso poderá tornar-se ainda mais importante.

Como pensa que a Inteligência Artificial influenciará o jornalismo e a escrita de viagens?

Ainda é cedo para sabermos qual será o impacto da IA a longo prazo. Neste momento já assistimos a mudanças na forma como as pessoas procuram e consomem informação. Espero que continuem a valorizar o ponto de vista humano e a procurar conteúdos autênticos, com identidade. Mas sem dúvida haverá mudanças naquilo que tem valor duradouro e onde e como se consome.

E quanto às próprias viagens? Teremos perdido o espírito do viajante e abraçado um tipo de turismo prêt-à-porter, em que muitos parecem apenas querer provar que estiveram num determinado local — fazendo uma fotografia com o telemóvel em vez de realmente viverem o lugar onde se encontram?

Acho que nas viagens sempre existiu essa tensão — entre quem apenas acumula destinos e quem está verdadeiramente interessado em conhecer os lugares. As redes sociais amplificaram-na; agora é possível partilhar as viagens com milhares de pessoas e não apenas com os amigos e a família.
Pessoalmente, acredito no poder transformador da viagem — na sua capacidade de abrir os olhos e de mudar as pessoas. Tenho esperança que todos os viajantes possam abraçar esse verdadeiro espírito de exploração. Nos EUA, o pouco tempo de férias disponível dificulta um tipo de viagem mais aprofundada, mas noto uma tendência para se fazer menos viagens, mas mais longas, o que é um bom sinal.

Existe algo que se assemelhe ao turista ideal, ou são todos indesejáveis? Pode um turista tornar-se o verdadeiro viajante ou estamos a falar de um mito cada vez mais distante?

Acredito que qualquer pessoa que viaje com boas intenções e se preocupe em, pelo menos, não causar danos às pessoas e aos lugares que visita, pode ser um visitante “desejável”. As pessoas mudam com as viagens, evoluem à medida que conhecem mais lugares e culturas. Sei que sou um melhor viajante hoje — mais atento, mais envolvido — do que era há 30 anos.

Estudou Folclore e Mitologia na Universidade de Harvard. Pode adiantar-me mais acerca desta escolha fascinante? Sei que a sua avó teve um papel importante… Com quem aprendeu galês?

Sempre adorei ser transportado para outro mundo através de uma boa história — foi isso que despertou o meu interesse pelo folclore, que no fundo estuda aquilo que faz com que uma história se torne memorável, digna de ser contada e partilhada por uma cultura.
As minhas avós eram ambas boas contadoras de histórias, contavam muitas histórias sobre a sua própria vida e talvez por isso o meu trabalho na área se tenha focado mais em narrativas de experiências pessoais.
Concentrei-me no folclore do mundo celta e estudei galês com o Dr. Jerry Hunter, em Harvard, e depois no National Language Centre, no País de Gales.
Muitas pessoas diziam que estes estudos não serviriam para nada no mundo profissional, mas na verdade constituíram uma preparação perfeita para o jornalismo — afinal, o que fazemos é contar histórias.

Que idade tinha quando viu pela primeira vez a revista cujas páginas agora ajuda a moldar? Lembra-se do que sentiu?

Penso que teria oito ou nove anos. Tínhamos uma assinatura e eu era um leitor voraz. Lembro-me do modo como a variedade de temas me abriu os olhos — despertou a minha curiosidade para saber mais sobre os locais e os temas que abordava. Acredito que isso contribuiu para o meu amor pelas viagens. A National Geographic destaca aquilo que o Mundo tem de maravilhoso — e isso levou-me a querer testemunhá-lo com os meus próprios olhos.

Como é entrou no mundo das viagens e do jornalismo?

Quando estava em Harvard trabalhei como editor no Let’s Go, uma série de guias de viagem feitos por estudantes. Descobri que adorava editar e essa experiência levou-me ao meu primeiro emprego em revistas, na Condé Nast Traveler.

A fotografia também parece ocupar um importante papel entre as suas paixões…

Sempre admirei o poder que a fotografia tem de contar histórias e de dar vida aos temas de um modo emocional e real. Trabalhar com conteúdo visual tem sido uma parte essencial do meu trabalho. Não sou um fotógrafo talentoso, mas acho que melhorei bastante ao longo dos anos graças ao facto de ter a oportunidade de trabalhar com os melhores!
Acredita que, no mundo actual, uma revista como a National Geographic — que é muito mais do que uma publicação de viagens ou sobre ciência — tem uma responsabilidade social acrescida?

Sem dúvida. Desempenhamos um papel fundamental ao ajudar as pessoas a compreender os assuntos mais importantes que estamos a descobrir sobre o Mundo. Estar informado é o primeiro passo para nos preocuparmos com algo — e hoje não há tema mais importante do que o cuidado com o nosso planeta.

Já viveu no Wisconsin, em Nova Iorque, Seattle e Washington… Se tivesse de escolher um lugar como seu, qual seria?

Sinceramente, acho que não pertenço a um só lugar. Vivi em Nova Iorque mais tempo do que em qualquer outro sítio — 23 anos — e por isso talvez possa dizer que sou nova-iorquino, mas surpreender-me-ia se voltasse a viver lá. Nesta fase da minha vida quero estar mais próximo da Natureza.

Como é que encara o futuro das viagens de lazer?

Evito sempre fazer previsões, sobretudo em tempos particularmente instáveis, mas o meu palpite é que haverá um movimento crescente no sentido de se realizar viagens mais conscientes — com os viajantes a optar por destinos e experiências que sintam que enriquecem verdadeiramente as suas vidas, seja graças à aprendizagem, à imersão cultural ou ao bem-estar que delas retirem. Claro que as pessoas vão continuar a fazer escapadinhas para relaxar, mas até essas têm um benefício muito importante — é essencial recarregar energias para se manter uma boa saúde mental e física e também para despertarmos a nossa criatividade e aumentarmos a nossa produtividade.

E do ponto de vista ambiental?

Estamos a começar a assistir uma maior tomada de consciência sobre o impacto ambiental das viagens. As pessoas começam a tomar decisões mais sustentáveis, mas nesse aspeto o sector ainda está um pouco atrás dos consumidores. Para que a indústria continue a crescer serão necessárias mais e melhores opções para que viajar se torne menos impactante, sobretudo ao nível dos transportes.

E os lugares que sempre quis visitar? Já conhece todos? Ainda há destinos por descobrir?

Definitivamente, não estive em todo o lado! Há países que quero muito conhecer, como a Mongólia, a Bolívia e o Sri Lanka. E também há lugares específicos, como o estado de Oaxaca, no México, Borobudur, na Indonésia, a Galiza, em Espanha, e as Ilhas Faroé.

Quais são os lugares que mais o marcaram?

As viagens que mais me impressionaram foram aquelas em que senti verdadeiramente a grandeza da Natureza — lugares como a Gronelândia, a Namíbia ou a Patagónia. Ter espaço e tempo para refletir é um presente precioso para mim e as caminhadas longas são perfeitas para esse efeito. Fiz caminhadas inesquecíveis na Patagónia.

O que faz com que um lugar se torne verdadeiramente especial?

Para ser sincero, acredito que todos os lugares são especiais. A beleza da viagem está em descobrirmos o que torna cada um deles único — e o porquê.

Que conselhos daria aos viajantes portugueses?

O mesmo que daria a qualquer viajante: pensar não só no lugar para onde se quer ir, mas no que se deseja fazer e o que se espera obter da viagem. É importante tentar procurar lugares e experiências que sintamos que nos irão oferecer algo que havemos de guardar com carinho.

O que gostaria que os seus leitores sentissem? O que espera despertar neles?

Espero que a National Geographic ajude as pessoas a sintonizar-se com um estado de deslumbramento pelo nosso Mundo — pela sua diversidade, majestade e singularidade. Quero que sintam admiração, humildade e envolvimento com as maravilhas que nos rodeiam — e das quais muitas estão em risco.

O seu papel numa revista com um legado tão vasto é quase como uma posição de realeza nesta área… Como é que isto o faz sentir-se?

Grato pela minha sorte e entusiasmado com o modo como posso colaborar na construção de um futuro sustentável.

Como viajante, quem é o Nathan Lump?

Uma pessoa curiosa, enérgica e entusiasta.

Quais são os seus escritores preferidos?

São muitos, de muitos géneros diferentes. Em viagens, destaco um dos meus favoritos: Pico Iyer, que é uma das vozes mais lúcidas da atualidade. Ao longo dos anos tive o privilégio de trabalhar com ele em algumas histórias. É um escritor e pensador excepcional.

Ainda regressa às histórias da sua infância e do seu passado?

Sim, de vez em quando volto às histórias de que tanto gostava da minha infância e do meu passado. Acho que a releitura de um livro tem muito valor. Descubro sempre qualquer coisa nova numa história e isso diz-me algo acerca de mim e sobre o modo como me alterei.

Se o Mundo já não guardasse segredos para si… onde seria a sua casa?

O Mundo ainda tem muitos segredos para mim! É por isso que continuo a explorá-lo, mas a minha casa ficará sempre onde estiver a minha família — o meu marido, Charles, e o nosso cão, Marco. Se estiver com eles, estarei em casa.

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